terça-feira, 31 de julho de 2012

A elitização do futebol

Tudo começou lá pelo fim dos anos 80 e início dos anos 90, quando os jogadores brasileiros tiveram mais vez no futebol europeu. Era motivo de orgulho quando um peixe grande lá de fora via os dribles desconcertantes do verde-amarelos daqui e os levavam para atuar no Velho Mundo.

No entanto, com a chegada da globalização dos anos 2000, isso ficou desenfreado e os jogadores brasileiros, hoje em dia, estão indo para a Europa cada vez mais cedo. Mas, será que isso é bom? Vamos analisar no que isso acarreta.

O jogador sai daqui para um grande clube europeu em seus belos 18 anos. Só que nesta idade ele ainda está em formação e indo para a Itália, por exemplo, ele terá formação italiana, futebol defensivo, e a identidade brasileira terá desaparecido. E pior... hoje em dia ele pode ir para algum clube desconhecido da Ucrânia, da Coréia do Sul ou dos Estados Unidos e a visibilidade para uma possível convocação para a Seleção perde-se junto com sua brasilidade.

Este poder econômico gerou uma elitização do futebol, só que esta elitização do hemisfério norte em relação ao hemisfério sul não para por aí. Vamos ver o preço dos ingressos. Saudades da época que eu ia na geral do Maracanã por 1 real e pagava, no máximo 15 reais para ir à uma final de Campeonato Carioca. Hoje em dia, para ver Botafogo e Ponte Preta jogarem por um jogo mambembe do Campeonato Brasileiro que nem sequer vale o título, pago 60 reais. Isso é que é elitizar! Vamos aplaudir a este jogo... uma pena que o estádio esteja tão vazio para que haja qualquer ovação.

Por fim, um de meus hobbies era colecionar camisas de futebol. Voltemos no tempo um pouquinho. Na copa de 1998, o Brasil já era vestido pela Nike e, na loja, uma camisa idêntica à utilizada pelos jogadores, com o mesmo tecido e material, custava 80 reais. Hoje em dia, pago 189 reais por uma camisa com uma qualidade bem aquém aos que os jogadores utilizam no campo. Eu até posso pagar por uma camisa igual ao que o Neymar usa, mas meu bolso teria de se despedir de módicos 250 reais. Elitizamos também os colecionadores dos mantos sagrados.

Que saudade da época que o Nilton Santos assinava contrato em branco e o Garrincha nem sequer sabia contra quem estava jogando... e ambos jogavam por amor ao futebol. Por amor à camisa.

É só, vou parar por aqui antes que comecem a elitizar o número de caracteres em blog também.

Um comentário:

  1. Infelizmente, meu caro, a tendência é só piorar. O futebol está se tornando um negócio onde o lucro fala cada vez mais alto.

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